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	<title>Enquadramentos &#187; História</title>
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		<title>História da Fotografia</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2007 19:49:32 +0000</pubDate>
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<p>A primeira pessoa no mundo a tirar uma verdadeira fotografia &#8211; se a definirmos como uma imagem inalterável, produzida pela acção directa da luz &#8211; foi Joseph Niepce, em 1826. Ele conseguiu reproduzir, após dez anos de experiências, a vista descortinada da janela do sotão de sua casa, em Chalons-sur-Sarne. Por volta de 1822, Niepce já trabalhara com um verniz de alfalto, aplicado sobre vidro, além de uma mistura de óleos destinada a fixar a imagem. Com esses materiais, obteve a fotografia das construções vistas da janela de sua sala de trabalho &#8211; após uma exposição de oito horas. Contudo aquele sistema heliográfico era inadequado para a fotografia comum e a descoberta decisiva seria feita por um cavalheiro muito mais cosmopolita: Louis Daguerre.</p>
<p>Ela ocorreu em 1835, quando Daguerre apanhou uma chapa revestida com prata e sensibilizada com iodeto de prata e que apesar de exposta não apresentara sequer vestígios de uma imagem, e guardou-a, displicentemente, num armário. Porém, ao abri-lo no dia seguinte encontrou sobre ela uma imagem revelada. Criou-se uma lenda em torno da origem do misterioso agente revelador &#8211; o vapor de mercúrio -, sendo atribuído a um termómetro partido. Entretanto, o mais provável é que Daguerre tenha despendido algum tempo na busca daquele elemento vital, recorrendo a um sistema de eliminação.</p>
<p>Em 1837, ele já havia padronizado esse processo, no qual usava chapas de cobre sensibilizadas com prata e tratadas com vapores de iodo e revelava a imagem latente, expondo-a à  acção do mercúrio aquecido. Para tornar a imagem inalterável, bastava simplesmente submergi-la em uma solução aquecida de sal de cozinha.</p>
<p>Pode-se portanto perceber que a fotografia não é descoberta de um único homem. Muitas experiências de alquimistas, fí­sicos e químicos sobre a acção da luz, foram de extrema relevância no contexto da fixação de imagens. As descobertas entrelaçam-se no mundo da fotoquímica. A história da fotografia está, portanto, directamente ligada ao estudo da luz e dos fenómenos ópticos.</p>
<p>Foi ainda na Grécia antiga que o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) constatou que os raios de luz solar, durante um eclipse parcial, ao atravessarem um pequeno orifício, projectavam na parede de um quarto escuro a imagem do exterior. Este mÃ©todo primitivo de produzir imagens recebeu o nome de cÃ¢mara escura, tendo sido usada pela primeira vez com utilidade prÃ¡tica pelos Ã¡rabes, no sÃ©culo XI, para observar os eclipses. Ã‰ portanto nesta primitiva cÃ¢mara que se encontram os princÃ­pios bÃ¡sicos da cÃ¢mara fotogrÃ¡fica.</p>
<p>Algumas datas importantes:</p>
<p>1520 &#8211; Leonardo da Vinci (1452-1519), italiano, deixa a descriÃ§Ã£o mais completa do perÃ­odo prÃ©-industrial do processo de aparecimento de uma imagem invertida em uma &#8220;cÃ¢mara escura&#8221;, em seu livro de notas sobre os espelhos, que Ã© publicado em 1797 &#8211; &#8220;A imagem de um objecto iluminado pelo sol penetra num compartimento escuro atravÃ©s de um orifÃ­cio. Se colocarmos um papel branco do lado de dentro do compartimento, a uma certa distÃ¢ncia do orifÃ­cio, veremos sobre o papel a imagem com suas prÃ³prias cores, porÃ©m invertida, devido Ã  intersecÃ§Ã£o dos raios solares&#8221;.</p>
<p>1526 &#8211; FabrÃ­cio, alquimista da idade mÃ©dia, relata que o composto cloreto de prata enegrecia quando exposto Ã  luz.</p>
<p>1558 &#8211; Geronomo (Girolano) Cardano, fÃ­sico italiano, soluciona o problema de nitidez da imagem ao sugerir o uso de lentes biconvexas junto ao orifÃ­cio da cÃ¢mara escura.</p>
<p>1676 &#8211; Johann Chirstph, professor de matemÃ¡tica da Universidade alemÃ£ de Altdorf, em sua obra Collegium Experimentale sive curiosum, descreve e ilustra uma cÃ¢mara escura que utiliza interiormente um espelho a 45Â° que reflecte a luz, vinda da lente, para um pergaminho azeitado, colocado horizontalmente. Desta forma, cria o primeiro aparelho portÃ¡til de cÃ¢mara escura. O grande quarto, com espaÃ§o para um homem trabalhar tranforma-se numa pequena caixa. Quase duzentos anos depois de FabrÃ­cio, o alquimista, ainda se acreditava que a prata ficava preta por estar velha.</p>
<p>1780 &#8211; Charles, fÃ­sico francÃªs, com base nas experiÃªncias anteriores, projectava objectos sobre uma folha de papel impregnada de cloreto de prata (algo muito semelhante a uma tÃ©cnica bÃ¡sica utilizada atÃ© hoje em trabalhos artÃ­sticos &#8211; FOTOGRAMA).</p>
<p>1839 &#8211; Louis Jacques MandÃ© Daguerre (1787-1851), divulga o processo de Daguerreotipia e, em 19 de agosto , a Academia de CiÃªncias de Paris, divulga ao pÃºblico. Surge a primeira forma popular de fotografia. O tempo de exposiÃ§Ã£o anda em torno dos 4 mil segundos. Daguerre vende sua ideia ao governo FrancÃªs por uma pensÃ£o vitalÃ­cia de 6 mil francos. Dias antes, Daguerre, requer a patente de seu invento na Inglaterra. O invento toma conta dos centros urbanos, vÃ¡rios pintores acusam a fotografia de matar a pintura. Mas foi atravÃ©s dessa adaptaÃ§Ã£o cultural, que nasce o impressionismo e o dadaÃ­smo (a arte pela arte).</p>
<p>1840 &#8211; Sir Charles Wheatstone, inglÃªs, cria uma engenhoca denominada visor estereoscÃ³pio, para visualizar fotografias em 3D. Neste mesmo ano, Daguerre aprimora seu invento e lanÃ§a o DaguerrÃ³tipo brometizado, reduzindo o tempo de exposiÃ§Ã£o para aproximadamente 80 segundos. Willian Henry Fox Talbot, na Inglaterra, lanÃ§a um processo denominado CalÃ³tipo. Um processo semelhante aos anteriores mas, quando exposta a luz, produz um negativo e atravÃ©s da tÃ©cnica de contacto obtÃ©m-se o positivo. Com base em uma folha de papel impregnada de nitrato e cloreto de prata (algumas vezes Ã© usado o iodeto de potÃ¡ssio), depois de seca, Ã© feito o contacto com objectos e obtÃ©m-se uma silhueta escura. Fixada, posteriormente, com amonÃ­aco ou soluÃ§Ã£o concentrada de sal. Ã‰ tido como o primeiro processo prÃ¡tico para a produÃ§Ã£o de um nÃºmero indeterminado de cÃ³pias a partir do negativo original.</p>
<p>1844 &#8211; O primeiro livro ilustrado com fotografias, The Pencil of Nature, Ã© publicado por Talbot e editado em seis volumes, com vinte e quatro talbotipos contendo a explicaÃ§Ã£o de seu trabalho e estabelecendo padrÃµes de qualidade. O problema da tÃ©cnica Ã© que o suporte do negativo Ã© o papel e na passagem para o positivo perdiam-se detalhes.</p>
<p>1855 &#8211; Roger Fenton (1819-1869) faz as primeiras fotos de guerra, quando cobriu a guerra da CrimÃ©ia para um jornal inglÃªs.</p>
<p>1855 &#8211; Aparecem algumas fotografias pintadas a mÃ£o, o que dÃ¡ um toque de realismo e tenta comparar a fotografia Ã s pinturas.</p>
<p>1871 &#8211; Richard Leach Maddox, mÃ©dico inglÃªs, fixa o brometo de prata numa suspensÃ£o gelatinosa, criando assim o processo de chapas secas. O processo que substitui o colÃ³dio hÃºmido Ã© publicado no British Journal of Photograph,<br />
em Setembro. De inÃ­cio o processo tem a desvantagem de ser mais lento, mas Ã© aperfeiÃ§oado e cria-se a placa seca de gelatina e com produÃ§Ã£o industrial. A partir de entÃ£o foi possÃ­vel fotografar o movimento (tempo de exposiÃ§Ã£o: 1/2 segundo) e o design das cÃ¢maras Ã© melhorado, ou seja, ficam menores, mais leves e mais prÃ³ximas ainda das pessoas.</p>
<p>1873 &#8211; Surgem os banhos coloridos com uso de corantes (tipo banho sÃ©pia ou azul) e aumenta-se a sensibilidade Ã s cores, banhando-se a emulsÃ£o fotossensÃ­vel em anilina, criando o filme ortocromÃ¡tico.</p>
<p>1884 &#8211; George Eastman, lanÃ§a o filme em rolo com vinte e quatro chapas, com base de papel e gelatina. Em 1886, a Eastman Dry Plate Company, passa chamar-se Kodak.</p>
<p>1888 &#8211; Â A grande novidade: a cÃ¢mera Kidak, com sistema de &#8220;bate-pronto&#8221;, com o slogan: VocÃª aperta o botÃ£o e nÃ³s fazemos o resto. O cliente compra a cÃ¢mara, por 25 dÃ³lares, com 100 chapas, mais tarde envia-a Ã  fÃ¡brica que entÃ£o revela as fotografias e devolve o filme revelado, a cÃ¢mara e mais um rolo de 100 chapas.</p>
<p>1889 &#8211; Henry M. Reichenbach quÃ­mico da Kodak, produz o negativo a base de celulÃ³ide e gelatina. GraÃ§as Ã  febre da funÃ§Ã£o retratista, muitos retratos de pessoas cÃ©lebres sÃ£o legados ao futuro, como foi o caso de Baudelaire e da menina Alice Liddell, que inspirou o reverendo Lewis Carrol a escrever &#8220;Alice no paÃ­s das maravilhas&#8221;. Nesta Ã©poca, o tempo de exposiÃ§Ã£o jÃ¡ alcanÃ§ava a fracÃ§Ã£o de 1/10 segundos.</p>
<p>1904 &#8211; O London Daily Mirror Ã© o primeiro jornal a ser ilustrado exclusivamente com fotos.</p>
<p>1906 &#8211; Ã‰ comercializado o filme pancromÃ¡tico, sensÃ­vel Ã  luz laranja. Os irmÃ£os August e Louis LumiÃ©re, apresentam os primeiros filmes para revelaÃ§Ã£o a cores (autochrome), que jÃ¡ nÃ£o precisavam de uma tripla exposiÃ§Ã£o (nÃ£o era necessÃ¡rio tirar 3 chapas diferentes da mesma fotografia) atravÃ©s de uma cÃ¢mara especial.</p>
<p>1920 &#8211; Paul Martin, inglÃªs, esconde uma cÃ¢mara numa maleta (graÃ§as aos avanÃ§os tecnolÃ³gicos dos filmes e das cÃ¢maras), e pela primeira vez tira fotos de pessoas sem que estas se apercebam. O resultado Ã© uma naturalidade desconhecida, pois antes as pessoas eram muito formais nas poses.</p>
<p>1925 &#8211; Usam-se partÃ­culas de magnÃ©sio para a iluminaÃ§Ã£o artificial. O resultado deste primitivo Flash Ã© um raio de luz brilhante e uma fumo Ã¡cido. Surge tambÃ©m a famosa Leica, uma mÃ¡quina excelente e precursora de todas as cÃ¢maras de 35mm.</p>
<p>1930 &#8211; Henry Cartier-Bresson foi o fotÃ³grafo que obteve maior sucesso. Cartier utiliza uma cÃ¢mara em miniatura para captar &#8220;momentos decisivos&#8221; na vida das pessoas. Ao seu sucesso no registro de acontecimentos e emoÃ§Ãµes fugazes influenciou enormemente nÃ£o sÃ³ o fotojornalismo, como tambÃ©m introduziu um novo conceito na fotografia artÃ­stica. A partir de 1930, na Europa e nos Estados Unidos, os crÃ­ticos especializados consideram trÃªs as tendÃªncias em fotografia: 1) utilizaÃ§Ã£o de grandes cÃ¢maras e amplos negativos, com obtenÃ§Ã£o de cÃ³pias ricas em gradaÃ§Ãµes tonais, interpretando de modo mais vivido a realidade;2) exploraÃ§Ã£o de novos aperfeiÃ§oamentos tecnolÃ³gicos para fixar o instante mais fugaz e os aspectos mais inusitados e insuspeitos da realidade;3) invenÃ§Ã£o de formas abstractas com a existÃªncia estÃ¡tica prÃ³pria.</p>
<p>&#8220;Para mim a fotografia consiste num reconhecimento imediato no curso de uma fracÃ§Ã£o de segundo, tanto o sentido do acontecimento quanto da exacta organizaÃ§Ã£o dos volumes que comporÃ£o, expressivamente, o significado da cena. Creio que seja no movimento da vida que a descoberta de si mesmo se efectua, ao passo que se dÃ¡ a abertura para este mundo envolvente que pode nos modelar, mas que pode igualmente ser influenciado por nossa personalidade. Trata-se de estabelecer o equilÃ­brio entre estes dois mundos. Ã‰ nessa constante interacÃ§Ã£o que esses mundos acabam por se fundir num mundo novo. Ã‰ nesse mundo que devemos comunicar. &#8211; Henry Cartier-Bresson</p>
<p>1930 &#8211; Aparecem os primeiros flashes fotogrÃ¡ficos. Nesta Ã©poca, as cÃ¢maras alcanÃ§avam a velocidade de 1/100 seg.</p>
<p>1935 &#8211; A Kodak lanÃ§a o primeiro cromo colorido &#8211; Kodachrome.</p>
<p>1936 &#8211; A Agfa lanÃ§a o Agfacolor &#8211; um distinto sistema de cores para um cromo colorido.</p>
<p>1941 &#8211; A Kodak lanÃ§a o primeiro negativo colorido &#8211; Kodacolor.</p>
<p>1947 &#8211; Surge a cÃ¢mara de fotos instantÃ¢nea, A Polaroid, baseada num processo desenvolvido pelo fÃ­sico americano Edwin H. Land.</p>
<p>1949 &#8211; Surge o Polaroid em preto e branco.</p>
<p>1963 &#8211; Surgem o Polaroid em cores e a &#8220;Instamatic&#8221; de cartucho 126.</p>
<p>2000 &#8211; As mÃ¡quinas digitais tambÃ©m comeÃ§am a ocupar espaÃ§o, em especial no fotojornalismo, onde a rapidez de circulaÃ§Ã£o e ediÃ§Ã£o de imagens justificam a pequena perda na qualidade de impressÃ£o. Contudo, nada, absolutamente nada substitui o olhar artÃ­stico e atento do fotÃ³grafo.</p>
<p>2005 &#8211; As mÃ¡quinas digitais ganham forÃ§a em todo o mundo, resoluÃ§Ãµes e pixeis avanÃ§ados fazem da foto digital a diferenÃ§a para foto-reportagens . As mÃ¡quinas digitais amadoras ganham enorme sucesso entre os adolescentes e os apaixonados por fotografia. Em todos os lugares onde se aglomeram pessoas, regista-se a presenÃ§a de inÃºmeras cÃ¢maras digitais de diversas resoluÃ§Ãµes e modelos&#8230; registrando tudo o que acontece ao redor, produzindo fotos descontraÃ­das e irreverentes. Muitas com o intuito apenas deÂ serem descarregadas para um computador para serem partilhadas pela internet e para divertimento.</p>
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